sexta-feira, 2 de março de 2012

AMOR E CRIME COM HEIDEGGER




Trecho de: "Minha vida de amor e crime com Martin Heidegger"


UM INTERROGATÓRIO



- Então, se casaram em 1989?

- Sim.

- Era um casamento feliz?

- Era um casamento.

- Feliz?

- Durante algum tempo eu o julguei suportável.

- Suportável, apenas?

- Vocês são homens. Ignoram que um marido raramente é um companheiro.

-Por que deixou de pensar que era um casamento feliz?

- Era... tinha se tornado, naquele momento, algo como uma associação entre dois cães. Não havia no nosso casamento nada além de comida e sexo. Era um casamento de cães.

- Procurou uma compensação fora de casa?

- Não. Os homens me causavam um pouco de repugnância, pelo menos quando eu não era indiferente. A afeição que eles dão, é como um doce dado a alguma criança de quem queremos alguma coisa. É sempre a mesma coisa que os homens esperam de uma mulher. Sexo e servidão.

- Contudo, foi com o sexo que o suposto Heidegger conseguiu sua submissão?

- Eu não era submissa a ele. O que ele me ofereceu, a princípio foi minha própria... satisfação.

- Foi então porque ele demonstrava maior consideração nas relações ente os dois que se tornou sua amante?

- Um homem capaz de tal consideração é um homem com o qual podemos, com o qual queremos viver.

- Poderíamos dizer que o sexo foi o motivo dominante de sua aventura com o suposto Heidegger?

- Não. Foi o sentimento de dignidade. Com Heidegger eu era eu mesma.

***

Ele deu uma tragada no cigarro e eu sentia a cabeça vazia. Um céu com nuvens agitadas correndo em todas as direções. Sim, ele estava certo, eu estava ali para fazer amor com ele, mas ao mesmo tempo isso me assustava.

            -Então, sente aqui. Não, tire a roupa. Quero vê-la nua.

Sim, e eu queria que ele me visse nua. Saboreei o prazer antecipado. Abro dois botões da blusa e tiro-a pela cabeça, depois abro o zíper da minha saia e a deixo cair. Tiro a calcinha e me esforço para tirar o fecho do sutiã. Durante esse tempo ele tirou apenas a calça. Não usava cueca. Está com uma ereção e me observa. Seu sexo é diferente do de meu marido Mark. Não vi muitos sexos masculinos em minha vida, mas sei que cada um tem uma aparência própria. O de Mark é branco e cilíndrico, rosado e branco, regular. O de Heidegger é mais grosso, mais escuro, com a ponta vermelho-escura, violento e selvagem, enquanto o de Mark é o de um jovem impetuoso.

-Venha cá.

Ele se levanta, me abraça e me beija. Seus lábios são muito mais carnudos que os de Mark. Eles envolvem a minha boca e minha língua, depois me devora inteira. Ele está ajoelhado e repete o que havia feito na noite anterior. Suga o meu clitóris e introduz a língua entre meus lábios. Depois, suga os meus seios e me beija outra vez, com a mão no meu sexo, um dedo curvo dentro dele e deixo escapar um pequeno grito. A precisão dos seus gestos, o modo com que suas mãos se apossam de mim me embriagam completamente. Ele me deita suavemente no sofá e depois de separar minhas pernas, recomeça a lamber e sugar meu sexo. Eu grito outra vez, e mais outra. Levanto-me, seguro o sexo dele para ter certeza de que ele não está me usando, que me deseja. Sim, ele me deseja e eu ajoelho na frente do seu sexo, eu o beijo, manchando-o de batom, o acaricio com a língua, como para lavá-lo, e o sugo como ele há pouco sugou meus seios. Uma refeição. Uma refeição de bebês.

Ele me faz levantar, me deixa deita no sofá, abre as minhas pernas. Apóia-se sobre as almofadas e me penetra com uma lentidão, uma lentidão... Uma de minhas pernas está sobre seu ombro, a outra no chão, e o sofá desliza na água, balançando suavemente. Cada vez que ele avança, respiro profundamente, cada vez que ele se afasta, solto o ar dos pulmões. O tempo, é isso, o vaivém de um sexo em outro sexo, mais real do que todos os tique-taques dos relógios, dos pêndulos. E chega a hora, eu grito, ele responde com um rugido. Tudo pára. Eu o puxo para mim, o beijo, murmuro palavras doces.

- Martin Heidegger.

Dizer um nome, dizer o nome do amado, uma missa.


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